4 motivos para assistir a “O Outro Lado das Redes”

Dezesseis anos depois de A Rede Social, filme que retratou a criação do Facebook, O Outro Lado das Redes revisitou os escândalos que abalaram a empresa e expuseram os impactos de suas plataformas. Dirigido por Aaron Sorkin, roteirista do primeiro longa, o drama da Sony Pictures é baseado em fatos reais e acompanha a engenheira Frances Haugen (Mikey Madison), ex-funcionária do Facebook que decidiu revelar documentos internos da companhia ao jornalista Jeff Horwitz (Jeremy Allen White).

Ao ter acesso a pesquisas internas que apontam consequências negativas do uso das plataformas, incluindo os efeitos do Instagram sobre adolescentes e a disseminação de desinformação, Frances decide expor práticas que contradizem o discurso público da empresa. As revelações deram origem à série de reportagens Facebook Files. À medida que as denúncias ganham repercussão, a personagem enfrenta consequências que colocam em risco sua carreira e sua segurança.

Mas o que faz valer a pena assistir a essa história?

A narrativa envolvente

Um dos pontos fortes do filme está na dinâmica entre Frances e Jeff. Com personalidades opostas, gostos distintos e métodos de trabalho diferentes, os dois estabelecem uma relação que acrescenta um tom sarcástico à narrativa. A química entre os personagens ajuda a manter o ritmo da história e evita que a investigação se torne cansativa, mesmo diante de um tema complexo.

A atuação de Mikey Madison

Conhecida por trabalhos como Era Uma Vez em… Hollywood (2019), Pânico (2022) e Anora (2024), Mikey Madison apresenta mais uma interpretação diferente das anteriores. Em O Outro Lado das Redes, a atriz assume uma personagem introspectiva e contida, que precisa lidar com o conflito entre os vínculos que construiu com a empresa e os valores que a levam a denunciar suas práticas. A atuação acompanha os dilemas de Frances sem recorrer a grandes excessos, dando espaço às contradições e às consequências pessoais de sua decisão.

O papel do jornalismo na investigação

A investigação jornalística é um dos motores da trama. A apuração, a checagem de fontes, a análise de documentos e a corrida contra o tempo dão forma ao suspense e mostram como o trabalho da imprensa pode contribuir para divulgar informações de interesse público.

Uma reflexão sobre os algoritmos e o impacto das redes sociais

Em uma sociedade cada vez mais conectada, conhecer o funcionamento das redes sociais é fundamental para compreender como elas influenciam a percepção da realidade. O filme apresenta mecanismos que ajudam a explicar como os algoritmos interferem no conteúdo que consumimos, como a desinformação ganha alcance e como uma publicação pode ser tratada como verdade absoluta. Nesse ambiente, uma notícia pode desencadear tanto ondas de apoio quanto campanhas de ódio. Diante desse cenário, a produção convida o espectador a refletir sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia diante dos impactos de seus produtos.