[Crítica] 12 horas para sobreviver – O Ano da Eleição

James DeMonaco teve uma ideia muito original na franquia ‘Uma Noite de Crime’ que se baseia em um momento em que os cidadãos americanos podem expurgar seu ódio e não serem punidos.

No primeiro filme “Uma noite de Crime” o governo tem o intuito de permitir que os cidadãos liberem os seus instintos violentos durante 12 horas para que a paz seja mantida nos 364 dias restantes do ano. A história se passa na casa de uma família tradicional, que tem a sua residência invadida por um homem negro perseguido por psicopatas brancos, tendo a sua trama girando em torno da crítica racial e a social em que os ricos podem se manter mais seguros que os pobres por não poderem pagar por recursos de segurança.

No segundo filme da franquia, “Uma noite de Crime: Anarquia” não se limita a uma residência, ele segue para as ruas e os espectadores podem acompanhar a tensão dos atos de expurgo, e sentir o desespero de um jovem casal Shane e Liz (Zach Gilford e Kiele Sanchez) que tem o seu carro quebrado ao voltar para casa e precisam sobreviver à noite, no meio disso cruzam com Eva (Carmen Ejogo) e sua filha (Zoë Soul), que tem sua vida salva por um sargento (Frank Grillo) que pretende vingar a morte de seu filho, ambos terão que se unir para sobreviver durante o período de expurgo que explora diversas motivações: vingança, questões sociais, dinheiro, traição, entre outras.

Em relação a mudança de título para o terceiro filme, sabe-se que é puro marketing para que as pessoas pensem que não tem ligação com o primeiro e segundo, e uma possibilidade também de contextualizar, por tratar-se de um ano de eleição nos EUA.

 

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Uma Noite de Crime 3, vulgo 12 horas para Sobreviver – O ano da Eleição tem ilegibilidade anual sancionada pelo “New Founders of America” agora ninguém mais está imune ao expurgo, e as doze horas para cumprir a “purificação” são mantidas assim como, o Frank Grillo no elenco que após dois anos ele está trabalhando como chefe de segurança para a Senadora Charlie Roan ( Elizabeth Mitchell), que é contra a “Noite de Crime” e candidata para a presidência, estes fatores colaboram para que a sua vida esteja em risco e mesmo com a sua casa cercada por seguranças acaba sendo traída por alguém da equipe de Leo Barnes (Frank Grillo), sendo assim ele vai lutar com todas as suas forças para proteger a vida da senadora e juntos sobreviverem a noite do expurgo.

Percebe- se aqui um filme com muito mais ação que os anteriores, porém com sequências que não tem boa direção e que não casam muito bem com o gênero (suspense/terror), o fato de incluir mais ação quebra um pouco o clima de tensão e deixa algumas cenas previsíveis.

Na franquia, o único personagem que segue é Frank Grillo, e sua missão é a mesma, manter as pessoas ao seu redor vivas, no entanto, essa equipe é muito inferior que a de “Anarquia”, os personagens são caricatos demais e não transparecem uma grande motivação por lutar pelas suas próprias vidas. Apesar do esforço do elenco eles não são auxiliados pelo roteiro e pela equipe de apoio.

Uma Noite de Crime 3 tem um leque de possibilidades, mas, tem subtramas em excesso, e por mais que o filme se esforce para fechar os arcos, temas como “política e religião” são muito polêmicos para ganhar tão pouco espaço. O diretor deveria estar bem seguro de sua obra, por mais que a história gire em torno da política e os religiosos compareçam em seu culto se utilizando de seu universo em que Deus gira em torno apenas de seu mundo e de sua igreja, poderiam ter equilibrado a história entre os dois lados dos candidatos à presidência.

 

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O figurino evoluiu muito em relação aos filmes anteriores trazendo muito brilho, máscaras visualmente assustadoras e extravagantes. Quanto aos antagonistas, estão bem elaborados no visual, contudo, deixa a desejar nos protagonistas que se apresentam de forma blasé.

Temos um material que levanta muitas questões, mas, inferior ao segundo por não saber lidar com dinamicidade de tantos personagens, temas e tem uma tentativa sem êxito de engatar no gênero ação. Apesar de ter uma boa premissa parece meio perdido no que seguir, tem algumas piadas sem graça sobre racismo e o elenco por sua vez não está tão entrosado quanto em Anarquia, por isso, a solução para organizar seria um seriado para que cada capítulo trabalhasse um tema, um filme que dosasse melhor as propostas ou ficasse focado em apenas uma questão. Mesmo com deslizes sabemos que é uma franquia muito promissora por seu axioma.